Os olhos se abrem, a realidade assombra. O balde de gelo costumeiro da manhã parece mais gelado e incomodo nesta manhã ensolarada, porém em escala cinza.
Os últimos acontecimentos se desprendem de um céu de cortinas azuis semi montadas, e caem como bigornas no chão cuidadosamente forrados de plumas e relva… A paz costumeira e falsa desaba como papelão ao vento, a vida não é uma caixinha de surpresas… dá-se conta que é apenas uma sucessão de acontecimentos já acontecidos, uma repetição infundade e indiferente aos sentimentos mundanos… a fita volta, e novamente o play é apertado. O que muda são os personagens, a vida é a mesma. O ciclo não cessa, porém não é tão longo assim…
A cada novo passo retoma-se o antigo, o passado, um futuro não tão imprevisível quanto acha… Sorrisos falsos, caras amarradas, faces montadas e planos arquitetados… Nada se move sem intenção, a como dizia o cientista: cada ação tem uma reação.
Ao imaginar quão longa será a vida, depara-se ao estigma de viver sabendo que o fim está mais próximo a cada dia, a ferida se abre a cada nascer do sol, e mais, e mais, e mais… Que a água do mundo desaparece a cada golada do copo, que o ar puro se extingue a cada respirada, que o Sol fica mais próximo do fim a cada nascer do dia, que o amor acaba a cada “Eu te amo”…
Um mundo com prazos de validade, é essa a realidade… tudo é previsivelmente provisório, toda claridade, no fim, acaba sendo obscura e toda obscuridade acaba como tudo… no escuro….