A difícil arte da simplicidade

Nasce, cresce, e difunde…
Anda, pé ante pé, descobre, morde, brinca, esconde… entende o mundo que a rodeia, chateia-se e chora… muda, ama, decepciona, fala, escuta, fala mais do que escuta… escuta menos do que deveria… toma suas próprias conclusões do que acontece, decepciona-se novamente, chora novamente, não entende, se martiriza…. Ao decorrer da vida faz disto um ciclo e o chama de rotina, de sina, de cruz, chama a vida de vida… E esquece, esquece também dos detalhes que rodeiam e que passaram despercebidos dos olhos durante o ciclo, durante a rotina… o mendigo que pede esmolas para sobreviver mais um dia, o cachorro que pediu um carinho, o amor que pediu pra ser notado… tudo confunde-se ao cinza médio que os prédios já fizeram a conta de impregnar em seus olhos como plano de fundo, como moldura da obra de arte. A tristeza bate, o Sol se esconde, a depressão vem… a doença dos ricos (sic), pensamentos passam-lhe pela cabeça… e a flor na mesa de cabeceira só queria mais um gole de água para manter a beleza de suas pétalas… relatórios espalhados pelo chão,  a motivação pairando no teto, esperando a menor brecha para sumir… a bela vida conquistada com suor e gritos, passam-lhe pelos olhos sem achar algum importante fato que faça desistir da idéia que acabara de ter… pé ante pé (como aprendera na infância) se encaminha para o parapeito da varanda, e seu coração começa um pulo sem passo, uma sinfonia sufocante e aterrorizante, retumba nos tímpanos como batuques de fanfarra… sobe, se equilibra, pensa, chora…. e solta…. na queda pensa em tudo e em todos, pensa em como poderia ter melhorado com simples fatos, descobre o que tanto queria descobrir… olha pra cima e se arrepende, grita, tenta socorro, mas ninguém lhe ouve, todos preocupados com o trabalho de amanhã ou com suas dores profanas e calculadamente caladas… o desespero e o arrependimento aparecem, a ininteligencia é uma hipótese, e um refúgio para o momento não se tornar tão insano… num último suspiro pensa em quem ama, não pensa em ninguém… chora… misericórdia e reza se tornão o mantra e seu refúgio… fecha os olhos e espera… segundos se tornam horas, até que o escuro toma conta de tudo… não sente mais dor, não sente mais dúvida… o que lhe toma é a angústia eterna de ter desistido de tudo, quando tudo o olhava com a maior esperança do mundo…

Uma resposta para este post.

  1. Publicado por Gabi em janeiro 2, 2011 às 2:01 pm r r

    Danii, adorei o texto e o blog.

    Bjos

    Responder

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