Tudo era quente, tudo era tranquilo, até que um dia as luzes cegaram momentaneamente os olhos acostumados a meia luz da antiga morada. As pequenas mãos cortam o ar, e os pulmões se enchem pela primeira vez. Sem saber, quase imediatamente ao primeiro gole de ar, cabresto e arreio são colocados em seus olhos, pescoço e pensamentos; Condenado a uma sociedade que preza pelo quanto você tem na carteira, do que pelo que você tem na mente. Ao decorrer dos anos os arreios são apertados e o cabresto puxado, para que o questionamente se torne algo sórdido e que as idéias avessas aos interesses se tornem besteiras ou maluquices. Insiste. A máquina o esmaga, o rebate contra os próprios pensamentos. É jogado involuntáriamente ao sistema de segunda a sexta das 8 às 18. O arreio machuca, mas nem tanto assim… O cabresto aperta, mas não tão forte assim. O incômodo passa despercebido ao relatório para entregar, ou a cena que tem que se fazer para garantir o pagamento no dia 10. Os cabelos vão se tornando brancos, os gestos ficam perdidos. O hospício interno está cheio de “maluquices”. As idéias mirabolantes agora são motivo de risadas a beira da mesa do café. As juntas cansadas ainda precisam levantar-se cedo para pegar o primeiro ônibus que o leva para o trabalho extra, que o faz completar a pífia aposentadoria que recebe. Enquanto os netos correm pela sala, uma lágrima escorre ao ver que os cabrestos ainda permanecem, e além de tudo, perpetuam pela juventude dançante que pula aos seus olhos. Os poços de juventude cortados pela metade pelo sistema medótico instaurado para evitar questionamentos ou dúvidas. O mínimo já é muito. O pouco pra quem nunca teve nada é fortuna. E assim caminha a humanidade…
17 ago
Publicado por rafa em agosto 23, 2011 às 7:44 pm r r
leia isso amor! acho que te complementa!
http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp
Te amo, nao esquece